Radar da Clínica — 20 de agosto de 2026
Três obrigações chegam ao mesmo tempo para quem administra clínica: uma janela fiscal que abre em setembro e não volta antes de 2028, um prazo trabalhista que vence antes do fim do mês e um dado de mercado que ajuda a calibrar o tamanho real da demanda no Brasil.
Gestão, fiscal e trabalhista
Clínica que quer entrar no Simples Nacional em 2027 tem até 30 de setembro para pedir
A Resolução CGSN nº 186/2026 mudou quando se pede para entrar no Simples Nacional: a janela de opção saiu de janeiro e foi para setembro do ano anterior. Quem quiser que o Simples valha já em 1º de janeiro de 2027 precisa protocolar o pedido entre 1º e 30 de setembro de 2026 — não haverá nova janela em janeiro. A norma foi publicada em 09 de abril de 2026 (DOU de 17/04) com base na Lei Complementar nº 214/2025.
Isso afeta a ME ou EPP que ainda está no Lucro Presumido (ou sem opção formal) e estava esperando para decidir. Para quem já é optante do Simples, o ponto de atenção de setembro é a escolha do recolhimento de IBS e CBS — tema coberto no radar de 19/08/2026 com base na CGSN nº 190.
O que muda na sua clínica: se a clínica opera como ME ou EPP fora do Simples e está avaliando migrar para o regime simplificado, o prazo de setembro é o único disponível para 2027. Passado o dia 30 de setembro sem pedido, a opção só voltará a estar disponível em setembro de 2027, para valer em 2028. MEI não é afetado: para o Microempreendedor Individual a opção permanece em janeiro. Consulte o contador antes do dia 30.
Fonte: Receita Federal — Prazo para solicitação pelo Simples Nacional será em setembro de 2026 · 19/08/2026
Relatório de Transparência Salarial: prazo encerra em 31 de agosto para empresas com 100 ou mais empregados
A Lei nº 14.611/2023 obriga empresas com 100 ou mais empregados a preencher, no Portal Emprega Brasil, os dados que compõem o Relatório de Transparência Salarial — critérios remuneratórios, iniciativas de diversidade e programas de apoio à parentalidade. O Ministério do Trabalho e Emprego abriu o período de atualização em 3 de agosto de 2026, com encerramento em 31 de agosto de 2026.
O que muda na sua clínica: a maioria das clínicas de terapia infantil não atinge o limiar de 100 empregados e, portanto, não está obrigada por esta rodada. Mas se a clínica cresceu e está próxima desse número — ou integra um grupo com outras unidades — vale verificar o total consolidado de vínculos ativos. Quem está no escopo e não envia pode ser autuado com base no artigo 19-C da Lei 14.611/2023. O preenchimento é feito exclusivamente pela área do empregador no Portal Emprega Brasil.
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego — Empresas com 100 ou mais empregados devem atualizar informações para o 6º Relatório de Transparência Salarial · 03/08/2026
Mercado e demanda
Primeiro levantamento nacional baseado em dados epidemiológicos estima 1,1 milhão de pessoas com TEA no Brasil
Pesquisadores da UFRGS, UFMG, UFSJ e Universidade de Washington publicaram em 7 de agosto de 2026 na Revista Brasileira de Epidemiologia o primeiro estudo nacional sobre TEA que não utiliza autodeclaração. Os dados vêm do Global Burden of Disease Study 2023 (GBD 2023) e cobrem o período de 1990 a 2023.
O estudo estima que em 2023 o Brasil tinha 1,1 milhão de pessoas com TEA — 0,53% da população (IC 95%: 0,27–0,93). A prevalência foi maior em homens (0,82%) do que em mulheres (0,25%), e a faixa de maior concentração é a de crianças abaixo de cinco anos. O TEA figurou entre as dez principais causas de anos vividos com incapacidade na população com menos de 20 anos. Os autores destacam que os dados de prevalência se mantiveram estáveis entre 1990 e 2023 — o que significa que o aumento nos diagnósticos observado em outras fontes reflete melhora no acesso ao diagnóstico, não aumento real da condição.
O que muda na sua clínica: este é o dado de base mais sólido sobre o tamanho do público brasileiro com TEA disponível até agora. Para quem planeja expansão, captação ou defende projeção para operadora de plano de saúde, a referência publicada em periódico indexado tem peso diferente de estimativas sem metodologia explícita. Uma ressalva importante: o estudo mede a população total com TEA, não a parcela que acessa serviços privados de terapia — esse recorte ainda não existe em fonte nacional publicada.
Fonte: Revista Brasileira de Epidemiologia — Prevalência, incidência e anos vividos com incapacidade por TEA no Brasil, 1990–2023 (SciELO) · 07/08/2026
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